sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Imperador Pedro II, Director Lourenço Lacombe e Eu

Hoje é o dia do aniversário de Pedro II.

Não consigo me lembrar da data que me apaixonei por ele. Só sei que este amor existe até hoje.
No início eram as semelhanças que me atraiam: a paixão pelos livros, pela fotografia, pelas viagens.
A informalidade, o hábito de comer depressa.
Sem pai, Pedro II se referenciava ao seu País, a qual serviu com muita dignidade e de forma informal, não acompanhou as pompas dos salões europeus da época. Amante das artes e do amor.
Sua voz fina, era um contraste à aparência altiva e majestosa. Eu sei o que é ter uma voz que não condiz, pelo menos aos outros.
Minha admiração foi aumentando com minha determinação: no admissão passei para o Colégio Pedro II, onde estudei por 8 anos. Tinha orgulho de estudar naquela instituição criada por ele, com retratos do tempo do Segundo Império emolduradas nas paredes do Salão Principal.
 
Nos anos 70 minha família se muda para Petrópolis, RJ e lá vou eu estudar na Universidade Católica, também um prédio lindo, cheio de histórias e magia.
Meu primeiro estágio foi no Museu Imperial e ali, por obra e graças de meu Deus, tive acesso ao acervo do Imperador e de sua família. 
O belo predio neoclassico, construído com os proventos pessoais do Imperador, é uma das obras mais lindas que conheço. E seus escritos. Quantas palavras, quantas impressões, quantos desenhos.
 
Ver a Coroa de perto, manusear louças, cristais, roupas e cartas. Tocar nos móveis. Era como viver aquele tempo, com ele. Me sentia uma dama da corte e me enchia de sonhos e planos para o futuro.
Curtindo um passado que pela proximidade com o diretor Lacombe, pude aprender sempre mais daquele período da história brasileira.
 
O Diretor, como era simplesmente chamado, com muito respeito por todos, tinha uns lindos olhos azuis, assim como o Imperador. E também o hábito da leitura e a magia da escrita. 
 
E ai, a vida dá uma volta e meu pai morre. E não vai para o Hospital Pedro II, em Campo Grande,  que estava inaugurando naquele dia, em um domingo quente de janeiro, aonde ele foi atropelado. Minha mãe e meu irmão, vão para o hospital. Na época me senti um pouco traída, mas consegui entender que ele, conforme o sonho que havia tido na noite de sábado, com ele e os pratos do Serviço dos Pássaros nas mãoes, não poderia fazer nada apesar de querer: estava preso à vontade divina. Mas que lastimava e receberia meu pai, no céu imperial, com muito carinho. Minha mãe e meu irmão, estavam salvos. 

Isto me confortou e segui em frente.
 
Aí, quando no dia 16 de Março de 1995, minha filha resolveu nascer 3 semanas antes do previsto, tive a confirmação que nossa história, a do Imperador e eu, não havia acabado. 
Na mesma data no ano de 1843, D. Pedro II assinou um decreto criando Petrópolis, a cidade de Pedro. 

E, em 2010, quando escolhi continuar em Angola, confiei minha única filha a filha mais nova do Diretor, para que ela a acolhesse e me ajudasse. Certa que Higuy estaria em ótimas mãos. E assim tem sido.

Hoje é um dia de festa.

Salve o Imperador Don Pedro II. 
 
Os palpites de hoje é:


Livro - Viagens Pelo Brasil
Em fins de 1859, dom Pedro II empreendeu, em companhia da imperatriz Tereza Cristina, uma viagem às províncias do Nordeste brasileiro. Observador infatigável, durante toda a jornada ia anotando fatos e impressões pessoais - uns muito francos, alguns relativos à vida administrativa do país, outros ainda de pura erudição. As páginas de seu diário de viagem estão repletas de anotações preciosas para a história da velha província, e também do país, na qual ela se inseria. O diário foi publicado pela primeira vez em 1959. A edição foi organizada por Lourenço Lacombe, diretor do Museu Imperial.