quinta-feira, 3 de junho de 2010

Noticias de Angola

Olá, povo!

Espero que tudo esteja bem com todos vocês!

Aqui, em Luanda, estamos no cacimbo. É o nosso inverno: manhãs,
cinzentas, um friozinho bem fraquinho, que antecede o Sol do meio dia.
As, noites, um arzinho e muito céu azul escuro. Principalmente, hoje,
lua cheia!

A saudade dói igual: uns dias, muito, outros dias, mais.

E o que realmente importa, em qualquer lugar do mundo onde a gente
esteja, é aquilo que a gente planta e aquilo que a gente sente. Pois,
a partir daí, temos o que merecemos ou, o que nos permitimos. Podemos
ser sempre estrangeiros, ou sermos locais. A intensidade, é muito
pessoal. Uma mala pronta, não é sinal de partida. E estar sozinho, não
traduz uma solidão.

Aprendi, a pouco tempo, que tudo que nos acontece, são resultados.
Das nossas ações ou das nossas não ações.

Que viver, realmente é correr riscos. E que ninguém está seguro em
suas enormes fortalezas. A violência nem sempre é física e o medo, nem
sempre é o que nos paraliza.

Aprendo muito por aqui. E ensino também. Existe uma grande troca, com
muitas expectativas. Às vezes, resulta. Outras, não.

E por isso, simplesmente, pois a beleza de minha existência está no
simplesmente, é que continuo por aqui.

Minha filha, no Brasil, cada dia me faz mais orgulhosa e segura de
que dou a ela uma formação muito legal. Que ela já anda com as
próprias pernas e que continua sonhando junto no nosso coração. Que
ela precisa de mãe pois será sempre minha menina. Que ela já me dá
força, e me lembra das vezes em que eu cai e levantei, sacodi a poeira
e dei a volta por cima. Resultados... E que tem uma tia muito fixe.
Está segura e amada. Tem amigos, tem familia.

Minha filha, no Brasil, escreve super bem e tira Excelente em
LIteratura. Tem sensibilidade e a vontade de fazer dança. Está fazendo
teatro e começando a desenhar seu destino.

Meu cachorro, cada dia mais figura, cada dia mais cachorro: leal
companheiro e brincalhão.

Com tudo isto e por tudo isto, que hoje eu resolvi escrever para vocês
dando notícias. Estou tranquila, serena e inteira. Saudável. E com
muito trabalho pela frente.

O resto, como dizia o Ari quando eu falava chorando, é literatura.

Então, uma poesia. De uma mulher. Talentosa, assim como eu e como
todas as pessoas que colocam atenção em tudo que fazem.

Beijos, abraços e cafunés angolanos.

Flávia